Errante, vagabundo, vergonha, desistência

Saturday, September 8, 2007

 

Mas que raio é que se passa comigo? Porque estarei aqui a escrever? Mas que súbita nostalgia se abateu sobre mim?! O curioso é constatar que continuo aqui, escrevendo, sem vontade de parar. Será este o meio de me exprimir?! A verdade é que exerce poder sobre a mente, puder falar sem críticas, sem juízos.
Questiono-me sobre que vida é que levo. Uma vida errante, com certeza. Encontro-me agora, aqui, a deambular por antigos pensamentos. Será que serão antigos? Não o serão. Que problemas terei eu? Não consigo conviver com ninguém. Diariamente tento estar com as outras pessoas. É muito difícil, muito difícil mesmo. Tento estar com os amigos (...), mas que amigos?! Sempre foi assim, desde infância. Curioso, "infância", segundo o dicionário significa: primeiro período da vida humana; os primeiros anos; começo; princípio; Acredito que tenha tido "infância" mas decerto nada parecida como de muitos outros. A família é rude, sofredora, sem grandes meios de subsistência. A educação é gerida pelo trabalho forçado para trazer sustento. Pão e água na mesa para haver o que comer. O sofrimento é a regra primária, é o alimento, é a salvação. O modo como os dias são combatidos atingem-me indirectamente. Trabalha-se para no fim levar nada. A indiferença fere mais, muito mais do que é concebível. Digo a mim mesmo que as palavras não surtem qualquer efeito na minha pessoa, mas apenas me engano para tentar chegar ao dia de amanhã. Será que ninguém repara nas mazelas que vão ficando? Será que ninguém repara nas nódoas que permanecem. Será que ninguém vê que não quero sofrer mais? Reservo-me o direito de parar de sofrer. Sinto falta. Falta de ter, de possuir. Sinto falta de calma, despreocupações. (...)

by Nuno Lourenço

3 dizeres sobre o mundo...:

BrainShutdown said...

Sei que não ajuda mas não és de maneira nenhuma o único a experimentar essa nostalgia nascida do nevoeiro no caminho. Durante esta fase por que estou a passar, tenho-me deparado com duas das questões que colocaste. Mais concretamente, que vida é esta que levo e porquê tanta dificuldade em relacionar-me com outros seres humanos. Para a segunda encontrei duas respostas parciais. Primeiro filho único e sempre fui eu e o meu mundo, egoísta, egocêntrico e introvertido, incapaz de me partilhar. Segundo não tenho observado o mundo objectivamente, simplesmente tenho projectado nele o meu modelo, aplicando-o a pessoas e contextos o que é muito parvo e cria a partida uma barreira muito densa.
Em relação à vida que levo simplesmente não sei porque tem sido virtual nos últimos anos. Não sei se isto faz algum sentido para ti mas olha fica a tentativa :) e acabei por desabafar. Obrigado! ( Porque não escrevi eu isto no meu blog? )
Em relação ao fim do teu post a abordagem que tenho tentado ter em relação aos hematomas e escoriações é a seguinte. Porque hão-de ser esses elementos vistos sempre como coisas negativas?
Lembra-te que a dor, se não te mata, só te faz ficar mais forte e mais consciente de ti próprio.

Grande abraço.

Nuno said...

BrainShutdown: As fases/momentos difíceis por que passamos são um óptimo meio de aprendizagem. Certo que nos questionamos sobre muito, principalmente quando estamos mais macambúzios, pois é um tempo ideal para reflexão/introspecção.
Fiquei sensibilizado com o teu comentário. Fez-te questionar sobre assuntos que te eram sensíveis, e ao que parece, dos quais não tinhas real consciência deles.
Mas tenho de te dizer que o texto é um exercício de ficção, criatividade, como quase todos os restantes textos/publicações que aqui, e por este meio, faço.
Um grande bem haja e obrigado eu por teres comentado. É gratificante saber que um texto que escrevi tenha surtido o que desejo, causar sensações e cativar o leitor.

Grande abraço.

Móni said...

Lindo, tu que és um homem lindo:
Gostei muito da tua escrita neste post! Kiss